R. H. Quaytman – O Sol Não se Move, Capítulo 35 | Serralves

R. H. Quaytman (Boston, 1961) é conhecida por usar a sua obra, com base na tradição da arte conceptual, como forma de reinventar a Pintura. Alcança esse resultado através da criação de tensões, como narrativa/abstracção, superfície/profundidade, pictórico/escultórico, único/múltiplo.

A sua obra nasce a partir de um “diálogo com a história da arte, a História do Século XX e posterior e a sua própria história pessoal”.

The Sun Does Not Move, Chapter 35, óleo e gesso sobre madeira, 2019.

Numa pequena nota biográfica, há que referir o investimento que a artista fez na sua aprendizagem e desenvolvimento artístico ao longo da década de 1980. Em 1982, participa numa residência artística na Skowhegan School of Painting and Sculpture, no Maine; em 1983, faz um Bacharelato Artístico na Bard College, em Nova Iorque; em 1984, participa num programa de pós-graduação de Pintura na National College of Art & Design, em Dublin; em 1989, frequenta o Institute des Hautes Études en Arts Plastiques, em Paris, com o intuito de estudar com Daniel Buren e Pontos Hultén.

As suas obras já lhe valeram 2 prémios: o Rome Prize Fellowship, da Academia Americana de Roma, em 2001; Wolfgang Hhn Prize (que recebeu juntamente com Michael Krebber), em 2015.

The Sun Does Not Move, Chapter 35, óleo, acrílico, tinta de serigrafia e gesso sobre madeira, 2019.

O Topico, Chapter 27, encáustica, acrílico, espuma e gesso sobre madeira, 2014.

Acredita que as imagens e os seus significados são inerentemente contingentes e daí escolha organizar as obras por capítulos, imitando a estrutura dos livros. Esta é uma decisão que toma por abordar a pintura do mesmo modo que a poesia: há elementos que nos saltam à vista e são esses que vão ter ressonância.

Agora já no nº 35 capítulo, o seu trabalho baseia-se sobretudo em pinturas sobre painéis de madeira com uso de elementos fotográficos site-specific (arte específica do local). Desta forma, cria capítulos que originalmente se iriam basear nas especificidades do arquitectura do local da exposição, mas a artista cedo percebeu que poderia “à especificidade mais lata da história, da geografia, da arte, dos artistas, dos pigmentos e dos padrões”.

Com uma obra marcada pela definição restrita do uso dos mesmos suportes, técnicas e formatos, R. H. Quaytman utilizada a distorção digital das fotografias como uma forma de “fazer frente à massiva e avassaladora presença do fotográfico e do digital na nossa paisagem física e mental”. E é isso quem podem ver na exposição agora patente em Serralves, organizada em conjunto pelo museu portuense e pelo Muzeum Sztuki em Łódź, na Polónia.

The Sun Does Not Move, Chapter 35 (Dear Johns), tinta de serigrafia, guache, óleo e gesso s/ madeira, 2020. (ao fundo)
O Topico, Chapter 27, acrílico, gesso e moldagem personalizada sobre madeira, 2014. (em primeiro plano)

O Topico, Chapter 27, acrílico, gesso e moldagem personalizada sobre madeira, 2014.

Na exposição patente em Serralves, O Sol Não se Move, Capítulo 35, vemos uma conjugação do 1º capítulo O Sol, de 2001, e o 27º O Tópico, de 2014, sendo que sobre as obras que compõem este segundo, a artista diz-nos que “funcionam como coordenadas num mapa do meu pensamento (…), como pontos de navegação. Tem peso gravitacional”. Esta conjugação mostra a necessidade que a artista descobriu ir sentindo de reintegrar capítulos anteriores com outros mais recentes, criando uma justaposição entre eles.

Referindo-se à primeira parte do título da exposição, O Sol Não se Move, a artista diz-nos “O sol não se move – somos nós que nos movemos. Regredimos-avançamos, num aparente movimento de rotação na ilusão de uma imagem que repetimos a cada novo dia”, quase num género de convite para que não nos limitemos a observar as obras apenas a partir de um ponto fixo.

Uma exposição em cujas salas se desdobram em mais umas quantas, que nos convida a deambular por elas e a ver as obras de várias perspectivas para as entendermos em toda a sua forma. É possível perceber as ligações entre os diversos trabalhos, seja pelo meio utilizado, as cores, os temas ou os capítulos dos quais fazem parte.

Esta exposição está patente no Museu de Arte Contemporânea de Serralves até 30 de Maio de 2021. Até os museus reabrirem na próxima semana, podem ficar a conhecê-la melhor por aqui: https://www.serralves.pt/ciclo-serralves/2010-rhquaytman/.

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