Louise Bourgeois – Descalçar um Tormento | Serralves

Louise Bourgeois (Paris, 1911 – Nova Iorque, 2010) foi uma artista franco-americana mais conhecida pelas suas instalações e esculturas de grandes dimensões, embora também tenha trabalhado outras áreas e técnicas. A sua obra não está afiliada a nenhum estilo específico, embora sejam visíveis semelhanças com os trabalhos dos Surrealistas e a Arte Feminista e tenha realizado exposições com os Expressionistas Abstractas.

Louise Bourgeois, Personages, 1947-1954.

Louise Bourgeois, Cell I (pormenor), madeira pintada, metal pintado, mármore, aço, espelho, vidro, 1991.

Bourgeois trabalha vários temas relacionados com o ambiente doméstico e a família, mas também com o corpo e a sexualidade, a morte e o inconsciente. Temas estes muito ligados a eventos trágicos da sua vida, especialmente a morte dos pais, sendo que a do pai, em 1951, agravou “os seus sentimentos de abandono, depressão, culpa e traição”, tal como nos é indicado no roteiro da exposição Descalçar um Tormento. São estes temas constantes na sua existência que lhe mostram que a Arte funciona, para ela, como um processo de terapia, funcionando quase como um exorcismo.

Louise Bourgeois, Je t’aime, carvão, tinta, lápis, sanguínea e guache sobre papel; conjunto de 60 desenhos frente e verso, 2005.

Louise Bourgeois, Sem Título, peças de roupa, ossos de gado bovino, varas de metal, 1996.

A obra de Louise Bourgeois é marcada por várias matérias e escalas, sendo que a artista começa por se dedicar aos desenhos e impressões. É nos anos 1940 que se foca na escultura, começando por trabalhos em madeira. As primeiras esculturas em gesso aparecem numa exposição em 1964 (após um hiato de mais de 10 anos em que a artista se dedicou à psicanálise) e é visível um grande contraste entre estas e as criadas anteriormente.

Devido aos temas que trabalhava, Bourgeois esteve longe das luzes da ribalta artística durante vários anos, algo que muda quando, em 1982, é inaugurada uma exposição retrospectiva da artista no MoMA, em Nova Iorque. É aqui que encontra um novo foco para se dedicar ao seu trabalho, criando algumas das suas obras mais conhecidas, como é exemplo a aranha gigante Maman.

Louise Bourgeois, Single I, tecido, 1996.

Louise Bourgeois, Maman, aço inoxidável e mármore, 1999.

Na exposição Descalçar um Tormento, podemos ver obras que a artista criou entre 1940 e 2010 que mostram o desvio entre a abstracção e a figuração, bem como uma enorme variedade de formas, escalas e materiais utilizados. Apesar desta diversidade de características, todas elas específicas da visão e trabalho de Bourgeois, é possível verificar como o elo comum são sempre os tais temas da solidão, da inveja, da raiva e do medo.

Nas suas obras, e tal como indicado no roteiro da exposição patente em Serralves, “Bourgeois deu expressão à tensão entre forças opostas – masculino/feminino, passivo/activo, arquitectura/corpo, amor/ódio – através de equivalentes formais e simbólicos” e através delas que “a artista convida o observador a confrontar-se com as suas emoções”.

Esta exposição está patente no Museu de Arte Contemporânea de Serralves até 19 de Setembro de 2021. Enquanto não a visitam, podem ficar a conhecê-la melhor por aqui: https://www.serralves.pt/ciclo-serralves/2012-louise-bourgeois-deslacar-um-tormento/.

Foto de topo do artigo: Louise Bourgeois, Le Défi IV, madeira pintada, vidro, espelho e luz eléctrica, 1994.

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