Praia em Valência à Luz da Manhã, Joaquín Sorolla y Bastida

Hoje, dia 21 de Junho, tem início o Verão, cujo solstício se assinalou às 4h31. Como o clima em Portugal não está propriamente muito quente, nada melhor do que evocar uma das muitas pinturas de praia de Joaquín Sorolla y Bastida, com uma vista do país vizinho.

Joaquín Sorolla y Bastida, Praia em Valência à Luz da Manhã, óleo sobre tela, 1908. Hispanic Society of America.
Fonte: TheHispanicMuseum&Library.

Joaquín Sorolla y Bastida (Sevilha, 1863 – Madrid, 1923), proveniente de uma família pobre, teve uma infância complicada, tendo ficado órfão aos dois anos de idade. Apesar da sua formação na capital espanhola e no estrangeiro, é ainda na sua cidade Natal, Sevilha, que inicia o seu caminho pelo mundo da Arte. Aos quinze anos ingressa na Academia de San Carlos onde demonstra desde logo um talento precoce.

Começa por seguir de perto o trabalho dos mestres espanhóis como Diego Velázquez (1599-1660) e Francisco de Goya (1746-1828), iniciado a sua carreira pelo modo Realista, mostrando a grande capacidade que tinha para o Desenho e a Pintura. Porém, seria no Impressionismo e até no Pós-Impressionismo que iria cimentar grande parte do seu trabalho, mas, e sobretudo, no Luminismo, uma técnica pictórica americana em que, tal como o nome indica, a luz assume o papel principal, seja através da representação dos raios solares ou dos seus reflexos na água, tal como acontece na obra em análise neste artigo.

É depois de uma viagem a Itália, onde conhece a Arte Clássica e o Renascimento, que retorna a Madrid e se dedica, então, a esse trabalho da luz. Tal como faziam os Impressionistas, Sorolla pintava no exterior, combinando a sua maestria da luz com temas diversos, como cenas do quotidiano, os costumes locais, bem como retratos, que seriam uma grande fonte de rendimento, permitindo-lhe consolidar o seu estatuto enquanto pintor.

Joaquín Sorolla y Bastida, Praia em Valência à Luz da Manhã (detalhe), óleo sobre tela, 1908. Hispanic Society of America.
Fonte: TheHispanicMuseum&Library.

Muitas das suas obras remontam para dias quentes de Verão, com uma grande ligação às praias espanholas, como forma de aguentar o calor da melhor maneira possível. Este tipo de representação paisagística é também a sua ligação ao estilo Naturalista, igualmente forte em solo português.

A obra em questão, Praia em Valência à Luz da Manhã, mostra-nos exactamente esse lado, ao mesmo tempo que nos indica como Sorolla era atento aos avanços da Arte Moderna, apostando numa paleta com cores mais fortes ao invés de tons mais esbatidos, como seria de esperar neste tipo de trabalhos.

Esta paisagem matinal mostra-nos desde logo uma praia agitada com várias pessoas a aproveitar os primeiros raios de sol. Em primeiro plano, vemos duas mulheres completamente vestidas em roupas brancas que estão com quatro crianças, três delas totalmente despidas (provavelmente calhou-nos a todos andar assim na praia quando éramos mais novos, sendo ainda comum de se ver nos dias de hoje, principalmente após um longo dia de banhos de sol e brincadeira na água), sendo que duas estão deitadas na berma da água (uma posição que é visível em várias obras do pintor espanhol). Embora Sorolla não trabalhe com muitos detalhes faciais, principalmente nestas composições maiores e com mais figuras representadas, conseguimos entrever sorrisos e boa disposição, assumindo um momento de ternura.

Joaquín Sorolla y Bastida, Praia em Valência à Luz da Manhã (detalhe), óleo sobre tela, 1908. Hispanic Society of America.
Fonte: TheHispanicMuseum&Library.

O mar ocupa quase a totalidade da composição, havendo um pequeno apontamento de areia do lado esquerdo e alguns centímetros dedicados à representação do céu na parte superior da obra. Um céu azul com poucas nuvens que se limitam também a esse lado esquerdo da pintura, num plano apertado entre a vela de um dos barcos e o limite da obra.

Por trás das figuras em primeiro plano, vemos mais algumas crianças a brincar na água, também elas despidas. Atrás destas figuras são visíveis dois barcos e através da posição das suas velas conseguimos perceber que o dia não só é quente como algo ventoso. Ao fundo, do lado direito, a pontuar a ligação entre a água e o mar, vemos mais duas embarcações à vela.

Do lado esquerdo da composição, é ainda possível ver mais algumas mulheres, estas vestidas com roupas de tons mais escuros, que observam as crianças que brincam no centro da água.

Joaquín Sorolla y Bastida, Praia em Valência à Luz da Manhã (detalhe), óleo sobre tela, 1908. Hispanic Society of America.
Fonte: TheHispanicMuseum&Library.

Joaquín Sorolla y Bastida, Praia em Valência à Luz da Manhã (detalhe), óleo sobre tela, 1908. Hispanic Society of America.
Fonte: TheHispanicMuseum&Library.

A nível cromático, é uma paleta não muito variada, focando-se sobretudo em brancos e azuis com alguns apontamentos a bege, preto, castanho e verde. É exactamente esse uso do branco que traz a tal luminosidade característica das obras do artista, assumindo o ponto máximo na mulher curvada que vemos em primeiro plano, cuja roupa parece absorver e reflectir o sol.

A roupa desta mulher e as velas dos barcos mostram-se como as superfícies pintadas de forma mais lisa e suave na tela, sendo que no restante trabalho as manchas e as pinceladas saltam à vista, sendo como que uma personagem por si só na composição, criando textura, especialmente nas ondas do mar.

Como já mencionado, as velas dos barcos mostram sinais de um dia ventoso, algo que traz movimento à composição, movimento esse aumentado pelas ondas que se mostram sobretudo do lado direito e pelas crianças que correm na água.

Joaquín Sorolla y Bastida, Praia em Valência à Luz da Manhã (detalhe), óleo sobre tela, 1908. Hispanic Society of America.
Fonte: TheHispanicMuseum&Library.

Esta obra é um dos muitos exemplos que viriam a distinguir Sorolla como um dos mestres da Arte Espanhola, com um trabalho caracterizado pelas grandes dimensões e, claro está, pela importância suprema que os elementos luminosos naturais assumem.

Agora resta-nos esperar que este dia de praia pintado por Joaquín Sorolla y Bastida se torne uma realidade e que o Verão se instale em força nos próximos dias para todos conseguirmos aproveitar, seja a ver quem se diverte no mar ou mergulhados atá à cabeça.
E, atenção, não se esqueçam do protector solar!

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