Adrian Hogan e Tatsuya Tanaka – Arte Inspirada nos Jogos Olímpicos e na Covid-19

Com os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 a acontecer em plena pandemia de Covid-19, sendo o primeiro evento a reunir os cinco continentes desde Março de 2020, não é de admirar que alguns artistas tenham juntado ambos os temas nas suas criações. Nelas as máscaras são as grandes protagonistas.

Adrian Hogan e Tatsuya Tanaka são dois artistas que fizeram justamente essa combinação. As suas obras são o assunto deste artigo, ainda em jeito de celebração das provas olímpicas que estão quase a chegar ao fim.

Adrian Hogan, sem título, ilustração digital, 2021. Fonte: Instagram.

Adrian Hogan é natural de Melbourne, na Austrália, mas desde 2013 que está baseado em Tóquio, no Japão. Por isso mesmo, pensou que viveria de perto a emoção dos Jogos Olímpicos, mas com a grande limitação de público para assistir às provas isso não foi possível. Mas isto não o impediu de trazer a competição para as suas ilustrações, dedicando-se a representar os que considera serem os atletas do dia-a-dia e que, com um pouco de atenção, conseguimos ver um pouco por todo o lado. São elas as pessoas que fazem sprints nas estações para apanhar o metro que está quase a sair; os pais que todos os dias inundam as ruas das mais variadas formas – a pé, a correr, de bicicleta – para chegar a tempo de deixar e recolher os filhos da escola; os trabalhadores que têm de efectuar as mais variadas tarefas durante o dia, entre outros.

Estas pessoas ditas normais são representadas no trabalho de Hogan como atletas das mais diversas modalidades. E, estando em tempo de pandemia, as máscaras são, como não poderia deixar de ser, mais um elemento comum entre todas elas.

Para estas criações, o artista inspira-se em situações que vê na rua e desenha sempre tendo por base imagens de atletas em várias posições. Para além disso, chega até a pedir a amigos que se coloquem nessas mesmas poses enquanto usam roupa como a que ele quer desenhar, de modo a ter a certeza de como deve recriar os tecidos.

Ciclismo, Ténis de Mesa, Salto em Comprimento, Karaté, Esgrima, Lançamento do Disco e Ginástica Acrobática são algumas das modalidades que podemos ver representadas nas ilustrações de Adrian Hogan.

Adrian Hogan, sem título, ilustração digital, 2021. Fonte: Instagram.

Esquerda: Adrian Hogan, sem título, ilustração digital, 2021. Fonte: Instagram.
Direita: Adrian Hogan, sem título, ilustração digital, 2021. Fonte: Instagram.

Adrian Hogan, sem título, ilustração digital, 2021. Fonte: Instagram.

Num espectro criativo completamente distinto surge o miniaturista Tatsuya Tanaka (n. 1981). O artista japonês é conhecido pelas suas fotografias de mundos em miniatura que ele próprio cria tendo por base objectos domésticos como brinquedos, jogos, frutas e vegetais. Estas fotografias fazem parte de uma série contínua denominada Miniature Calendar (Calendário Miniatura) para a qual Tanaka cria há cerca de uma década.

Sendo também ele residente no país anfitrião desta XXXII edição dos Jogos Olímpicos de Verão, é normal que, tal como Hogan, se tenha deixado levar pelo mundo desportivo e, claro está, decidiu aliá-lo às máscaras descartáveis que são agora uma parte essencial nas nossas vidas, elemento que tinha já usado em alguns dos seus mundos de pequena dimensão.

Assim sendo, o artista japonês pegou nos seus atletas em miniatura e criou cenários de algumas modalidades olímpicas em competição, como o Atletismo, a Natação, o Salto em Altura e o Voleibol. As máscaras servem como base para cada um destes desportos, seja pela sua parte protectora de tecido ou pelos seus elásticos. Tatsuya Tanaka, conhecido igualmente pela sua Arte Mitale (designs pictóricos que oferecem camadas de significado imaginativas, simultâneas e múltiplas que coexistem entre si em vez de se misturarem), cria assim uma mini-versão dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, numa série a que deu o nome de Tokyo 2020.

Tatsuya Tanaka, Tokyo 2020, máscara e miniaturas, 2021. Fonte: Instagram.

Tatsuya Tanaka, Tokyo 2020, máscara e miniaturas, 2021. Fonte: Instagram.

Tatsuya Tanaka, Tokyo 2020, máscara e miniaturas, 2021. Fonte: Instagram.

Numa nota à parte, ambos os artistas fizeram as suas versões de representação da chama olímpica. Adrian Hogan seguiu o mesmo conceito de pessoas normais no seu dia-a-dia e remeteu-as para um dia de chuva em Tóquio (que se tem feito notar em algumas das provas) em que os guarda-chuvas se viram ao contrário. Já Tatsuya Tanaka, aqui sem recurso a máscaras, representa a chama olímpica final (nesta edição iluminada pela tenista japonesa Naomi Osaka) como sendo um gelado.

Adrian Hogan, sem título, ilustração digital, 2021. Fonte: Instagram.

Tatsuya Tanaka, Olympics, miniaturas e gelado, 2021. Fonte: Instagram.

Numa edição marcada pela desistência da ginasta americana Simone Biles de algumas provas em prol da sua saúde mental, mostrando-nos que os atletas de alta competição não são super-heróis para quem tudo é fácil, é interessante a abordagem de Adrian Hogan (ainda que anterior ao início da competição) para com as pessoas que não estão nesse meio, dando-lhes essa caracterização por tudo o que fazem e enfrentam no dia-a-dia.

E não esquecer o uso da máscara que marca os Jogos Olímpicos em cada cara que aparece e que serve também como pano principal para as criações de Tatsuya Tanaka. Um elemento que se revela necessário para a saúde pública, mas também para a Arte.

Sem dúvida que Tóquio 2020 ficará para sempre associado ao Covid-19, mas é bom ver que, no meio de todo o caos e de tudo o que há de mau, há quem se consiga inspirar.

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