Ciclo da Vida – Outros Lugares | Museu Nacional de Soares dos Reis no ICBAS

Enquanto as suas salas de exposição permanente não reabrem, o Museu Nacional de Soares dos Reis continua o seu caminho pelas mostras temporárias, desta vez para Outros Lugares. Nesta nova iniciativa que o museu portuense pretende fazer fora das suas portas há o intuito de quebrar as barreiras entre os locais onde é ou não suposto ver Arte.

Assim, na exposição Ciclo da Vida, a primeira deste projecto e inaugurada no passado dia 28 de Outubro, alia-se ao vizinho Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) que acolhe, numa das suas salas, doze obras da sua colecção.

Autor Desconhecido – Escola Italiana, Primavera – série das Quatro Estações, óleo sobre tela, século XVII.

Autor desconhecido, Retrato de Três Meninos num Jardim, óleo sobre tela, século XVIII.

A Pintura esteve desde sempre aliada ao mundo científico. Tendo sido, durante muitos séculos, a única forma de criar imagens, serviu como modo de registo de coisas que advieram de conhecimentos científicos, mas também de elementos que viriam a merecer a atenção dos investigadores e que eram provenientes de outros povos e culturas. Também o contrário aconteceu, sendo que não nos podemos esquecer do fascínio que alguns artistas demonstraram por estas matérias, como aconteceu, por exemplo, com Leonardo da Vinci (1452-1519).

É exactamente esta relação de proximidade que Ciclo de Vida pretende ilustrar. A partir d’ As Quatro Estações, quatro obras da colecção do Museu, cria-se uma relação entre o passar do tempo do mundo e da paisagem que caracteriza cada estação com as fases da vida do ser Humano – nascer, viver, morrer.

Estas alegorias de autor desconhecido provêm da Escola Italiana numa clara alusão às obras do também pintor italiano Giuseppe Arcimboldo (1527-1593). As que integram a colecção do Museu Nacional de Soares dos Reis e que fazem parte desta exposição datam dos séculos XVII-XVIII. Os retratos escolhidos são mais tardios, com criação sobretudo nos séculos XIX e XX, com excepção de uma que remonta ao século XVIII. Também essa é a única, das que ilustram as fases da vida do ser humano, cujo autor é desconhecido. Todas as outras foram pintadas por artistas portugueses como Marques de Oliveira (1853-1927), Sousa Pinto (1856-1939), João Augusto Ribeiro (1860-1932) e José Alberto Nunes (1829-1890).

Da esquerda para a direita:
Autor Desconhecido – Escola Italiana, Verão – série das Quatro Estações, óleo sobre tela, século XVII-XVIII.
João Augusto Ribeiro, Retrato do Dr. Sanzio Ribeiro, filho do pintor, óleo sobre tela, 1916.
Alberto Carlos de Sousa Pinto, Retrato de Senhora, óleo sobre tela, 1º quartel do século XX.

Cada alegoria cria o seu próprio núcleo que está fechado sobre si mesmo, acentuando as diferenças que existem entre as fases do anos e as fases da vida de uma pessoa.

Apesar de, como referido, nos serem apresentadas apenas doze obras, conseguimos demorar-nos entre elas para absorver os detalhes de cada uma, bem como para fazer as ligações entre a que cria o centro a partir da vida da paisagem e as que se lhe juntam por semelhança na vida humana.

Da esquerda para a direita:
Autor Desconhecido – Escola Italiana, Outono – série das Quatro Estações, óleo sobre tela, século XVII-XVIII.
José Júlio de Sousa Pinto, Retrato de Maria Teresa Chagas, pastel sobre papel, 1923.
Marques de Oliveira, Retrato de Tadeu de Almeida Furtado, óleo sobre tela, 1880.

As flores, as folhas e os frutos alteram-se dando vida a novas cores e a novas formas, tal como acontece com as pessoas e assim cada estação é associada a dois retratos que remetem para a mesma altura da vida de uma pessoa. Uma exposição que nos dá a objectividade da Ciência aliada à subjectividade da Arte numa combinação que resulta num entendimento mais directo do mundo.

A interpretação na ciência assegura-nos leituras do mundo. A interpretação artística permite-nos evadir do mundo. Com esta exposição procuramos (re)estabelecer a conexão entre o que é científico e o que é artístico, certos de que, no ciclo da ida e na marcha inexorável do tempo, teremos sempre arte e ciência para nos esclarecer e acalentar.

-Henrique Cyrne Carvalho, Director do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Uma reunião entre obras portuguesas e italianas que faz uma ponte para a exposição que ocupa uma das salas do Museu Nacional de Soares dos Reis e que já por aqui foi referida: Desenhos de Mestres Europeus em Colecções Portuguesas II: Itália e Portugal.

João Augusto Ribeiro, O Pescador, óleo sobre tela, 1917.

Autor Desconhecido – Escola Italiana, Inverno – série das Quatro Estações, óleo sobre tela, século XVII.

A partir de Ciclo da Vida, a iniciativa Outros Lugares pretende estimular tipos de público diferentes a visitar o Museu Nacional de Soares dos Reis já com o ponto de partida das várias associações possíveis de se fazer com uma obra de arte, mesmo que ela não esteja nesse conceito directo, como acontecerá com uma exposição permanente. Neste caso, há um aliar da Arte à Ciência numa visão de como os dois mundos sempre estiveram unidos e no pensar da perspectiva de futuro entre ambos.

A exposição pode ser visitada no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar até ao dia 7 de Janeiro de 2022, de Segunda a Sexta-Feira, das 9h00 às 18h00.
A entrada é gratuita.
Para mais informações: Exposição MNSR no ICBAS.

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