Sara Sara – Oração à Luz | Museu da Cidade – Casa Guerra Junqueiro

No passado dia a 5 de Fevereiro, a Casa Guerra Junqueiro, no Porto, inaugurou a sua mais recente exposição no Gabinete de Desenho, sala dedicada às exposições temporárias do espaço. Oração à Luz, com curadoria do Núcleo de Programação do Museu de Cidade, é a primeira exposição de Sara Sara na cidade invicta e a mesma preenche as duas salas expositivas com obras que nos levam numa viagem de oração e adoração.

Sara Sara, Sem Título, tinta plástica, folha de ouro e goma laca sobre construção de madeira, 2022.

Sara Costa Carvalho, de nome artístico Sara Sara, nasceu em Lisboa, em 1974. Em 2002, terminou o curso de Artes Plásticas na ESAD, nas Caldas da Rainha, cidade onde se fixou e onde trabalha.
Depois de terminar os estudos, seguiram-se sete anos preenchidos por experiências mais pessoais, neste caso ligadas ao mundo das viagens e da jardinagem. Após esse tempo, em 2009, começa a dedicar-se de forma mais intensa ao seu trabalho e entre 2010 e 2017 foram várias as exposições, tanto individuais como colectivas, em que participou. Embora conte já com essa bagagem, Oração à Luz é, como já mencionado, a primeira exposição de Sara Sara no Porto, exposição na qual todas as obras, concluídas recentemente entre 2018 e 2022, pertencem à colecção pessoal da artista.

A exposição é marcada por um conjunto de peças bi e tridimensionais realizadas com recurso a vários materiais como a madeira, a folha de ouro, o mármore, o pano, desperdícios de papel e ainda fio prateado e fio dourado, entre outros.
Materiais e peças simples que se unem qual retábulo de altar revestido a talha dourada. São vários pontos luminosos, vários sóis, que nos chamam a atenção e que nos prendem no vislumbre do seu todo, mas também no descontruir de todos os pequenos elementos que dão forma a estas peças.

Sara Sara, Sem Título, fio prateado, 2022.

Sara Sara, 10 billion praying Buddhas, an inner mountain to climb (detalhe), restos de papel, cola de papel e verniz, 2020-2021.

As suas viagens, que vão dos Açores ao Oriente, e a sua prática de jardinagem fazem-se notar nas peças aqui expostas. Há uma relação com a calma com que se dá a passagem do tempo nestes momentos e o que sentimos ao percorrer estas salas, com peças que se constituem como oratórios e lugares de adoração. A meditação e a reflexão interior que nos proporcionam o viajar e o jardinar são um elemento comum a esta exposição.
Os próprios dois andares que recebem as obras como que se dividem em locais diferentes, sendo o do 1º piso algo mais sombrio e preenchido com obras que quase nos levam para o fundo do mar, onde tudo é mais escuro; e o 2º piso um lugar bem mais próximo da luz, desse suprassumo que é figura principal desta exposição. E assim ambos jogam com o que as sombras, os reflexos e a iluminação conseguem em espaços distintos e com peças de cor também diferente, apelando igualmente a sensações variadas (talvez o frio e o calor).

O trabalho de Sara Sara desenha uma cosmogonia singular que cruza as ideias de divindade, culto, actualidade e exercício espiritual, visibilidade e invisibilidade, luz e sombra.

Oração à Luz, folha de sala

Esta ideia de divindade, no entanto, toma uma forma diferente, estando aqui ligada aos acontecimentos actuais. Estas divindades que vemos podem ser o que quisermos e tomar formas diferentes de ângulos distintos. Cada altar que compõe a exposição assume a identidade divina que cada visitante idealiza, mas mantem-se a luz, elemento ao qual a oração é dirigida (aqui tomando de empréstimo o título do livro que Guerra Junqueiro publicou em 1904). Peças que absorvem e que também reflectem essa própria luz, mesmo nas mais variadas cores – dourado, preto, vermelho, verde. Tal como as referências literárias que Sara Sara aqui convoca, são a luz, os seus reflexos e as suas sombras que estão em análise e que nos levam para esse tal campo de oração.

Sara Sara, Sem Título (detalhe), tinta plástica, óleo grafite, goma laca sobre madeira, espelho, massa DAS, construção de papel, folha de ouro e verniz, lâmina de vidro, mármore, 2011-2022.

1º plano: Sara Sara, Sem Título (detalhe), fio dourado, 2022.
2º plano: Sara Sara, Sem Título (detalhe), tinta plástica, óleo grafite, goma laca sobre madeira, espelho, massa DAS, construção de papel, folha de ouro e verniz, mármore, tela e pano cru, 2011-2022.

A exposição Oração à Luz pode ser visitada até ao dia 17 de Abril, na Casa Guerra Junqueiro (estação nº 10 do Museu da Cidade), de Terça-Feira a Domingo, das 10h às 17h30.
A entrada é gratuita.
Para mais informações: Oração à Luz.

Imagem de destaque: Sara Sara, Sem Título, tinta plástica, óleo e folha de outro sobre tábuas de madeira, 2021.

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