Dia Internacional da Mulher: 24 Artistas Ucranianas que Devem Conhecer

Neste Dia Internacional da Mulher a homenagem vai para as artistas ucranianas. Na leitura que vos aguarda, encontrarão reunidas mais de duas dezenas de artistas que nasceram na Ucrânia entre 1858 e 1993 e que marcaram e marcam a História da Arte do país. São vários os estilos e as técnicas, mesmo aquando períodos de trabalho iguais, e embora as temáticas abordadas sejam de igual modo variadas, há uma que prevalece todas as outras: a representação da história, da cultura e das pessoas do seu país Natal.

Marie Bashkirtseff (Gavrontsi, 1858 – Paris, 1884)

Nasceu na Ucrânia, mas aos doze anos, após algum tempo em viagem pela Europa, mudou-se para Paris com a mãe. Ali, frequentou a Académie Julian, a única instituição artística que aceitava mulheres na altura. O seu trabalho é o convencional para a época, seguindo as linhas do Realismo e do Naturalismo citadino em obras de grande detalhe, principalmente no que toca ao retrato. Para além de pintar, publicava sob o pseudónimo de Pauline Orrell na imprensa feminista. Os artigos e a pintura tornaram-na famosa em vida, mas foram os seus diários, que escrevia desde os treze anos, que viriam a elevar o seu nome já depois da sua morte. Estes, publicados pela sua mãe, dão uma excelente perspectiva sobre a sociedade (sobretudo a francesa) da época, mas servem também para conhecer as experiências e as ambições de Marie Bashkirtseff enquanto artista.
Após a Segunda Guerra Mundial, apenas cerca de 60 das suas obras sobreviveram.

Marie Bashkirtseff, No Estúdio, 1881. Fonte: PublicDomainReview.

Esquerda: Marie Bashkirtseff, Uma Reunião, 1884. Fonte: ICHI.
Direita: Marie Bashkirtseff, O Guarda-Chuva, 1883. Fonte: ICHI.

Olena Kulchytska (Berezhany, 1877 – Lviv, 1967)

Fonte: Wikipedia.

Olena Kulchytska estudou Arte no início do século XX, sendo a primeira mulher a receber formação artística naquela zona. A sua primeira exposição acontece logo em 1909. Foi uma artista multifacetada, realizando pinturas a óleo, aquarelas, gravuras, ilustrações infantis, trabalhos em madeira e filigrana. Combinava as tradições do Oeste ucraniano, em especial dos Hutsuls, com as inovações estilísticas da secessão europeia, sendo o seu trabalho completamente inseparável da da história e vida do povo ucraniano. A sua paleta cromática recorre-se essencialmente do preto, do branco e do vermelho.
Foi também professora e uma grande activista que sempre apoiou os que sofriam nas mãos do poder.
Não tendo casado nem sido mãe, por dedicar a sua vida à Arte, doou mais de 3000 peças ao Museu de Arte Ucraniana em Lviv, deixando o seu legado à cidade.

Olena Kulchytska, Casamento Hutsul, 1935. Fonte: EncyclopediaofUkraine.

Esquerda: Olena Kulchytska, Vestido Folk Dress da Região de Pokuttia, não datado. Fonte: EncyclopediaofUkraine.
Direita: Olena Kulchytska, Vestido Folk da Região de Lemko, 1938. Fonte: EncyclopediaofUkraine.

Sonia Delaunay (Gradizhsk, 1885 – Paris, 1979)

Fonte: Wikipedia.

Sonia Delaunay, nascida Sarah Stern, foi uma artista multifacetada que estudou na Rússia e na Alemanha antes de se mudar para Paris, em 1905. Os seus primeiros trabalhos em Paris são marcados pelas obras que via em museus e galerias, sendo grandemente influenciada por artistas como Van Gogh (1853-1890), Henri Rousseau (1844-1910) e Henri Matisse (1869-1954), dos quais retira o gosto pela expressividade das cores luminosas. Depois de casar com Robert Delaunay (1885-1941), em 1910, entra, juntamente com ele, por um caminho a que Guillaume Apollinaire (1880-1918), amigo do casal, apelidaria de Orfismo, o qual é caracterizado pela inserção de um novo elemento lírico, de cor e luminosidade ao Cubismo que que vigorava, recorrendo a jogos de contrastes entre cores frias e quentes dispostas em círculos. Assim, o uso que ambos davam à cor e ao movimento nas pinturas destacava-se de tudo o resto.
Em fuga à Primeira Guerra Mundial, passam por Portugal, onde estreitam amizade com Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), Almada Negreiros (1893-1970) e Eduardo Viana (1881-1967) e onde Sonia realiza obras inspiradas nas tradições e na Arte popular portuguesa. Seguem depois para Espanha, país no qual Sonia funda Casa Sonia onde vendia designs de moda e de decoração de interiores. Esta viria a ser a sua principal forma de rendimento, criando inclusive roupas para filmes para filmes e peças de teatro, bem como cenários, mesmo já depois de regressada a Paris. Ainda assim, nunca deixou de pintar e, em 1964, foi a primeira artista viva a ter uma exposição retrospectiva no Musée du Louvre.

Sonia Delaunay, Mercado no Minho, óleo sobre tela, 1915. Fonte: CorreiodoPorto.

Esquerda: Sonia Delaunay, Coeur à Gaz, litografia, não datado. Fonte: FundaçãoGulbenkian.
Direita: Sonia Delaunay, Ritmo, óleo sobre tela, 1938. Fonte: Wikipedia.

Antonina Ivanova (Kaharlyk, 1893 – Moscovo, 1972)

Antonina Ivanova estudou em São Petersburgo e depois continuou na Academia de Artes Ucraniana. No início da sua carreira artística, dedicava-se sobretudo aos murais, mas após uma doença que a confinou a uma cadeira de rodas viu-se obrigada a mudar o seu tipo de trabalho, dedicando-se a pintar loiça, brinquedos de madeira e tecidos. Ainda assim, conservou as suas bases de pintura monumental (formas generalizadas, composições planas de ritmo arquitectónico), continuando a pintar a têmpera em cavalete. Confinada à cama e ao estilo soviético, a partir de 1937, conseguiu, ainda assim, inserir no mundo artístico a natureza feliz da arte folk e o ritmo que a representava a boa percepção da vida, muitas vezes com recurso a motivos florais. Fez ainda algum trabalho no campo da escultura.
Mesmo tendo mudado a sua vida para Moscovo pouco depois de terminar os estudos, continuou envolvida no Comité Executivo que iria realizar um mural para um Sanatório em Odesa. Nesse projecto, fez-se acompanhar pelos seus colegas da Escola de Boychuk, movimento ao qual afirmou, anos mais tarde, nunca ter abandonado.

Esquerda: Antonina Ivanova, Amor, têmpera sobre madeira, c. 1920. Fonte: GoogleArts&Culture.
Direita: Antonina Ivanova, Retrato de Mulher, têmpera sobre cartão, 1922. Fonte: ArtHive.

Kateryna Bilokur (Bohdanivka, 1900 – Kyiv, 1961)

Fonte: WikiArt.

Kateryna Bilokur desenhava desde pequena, mas viu o seu sonho de artista ser repetidamente negado tanto pelos pais como pelas escolas de artes por não ter tido nenhum tipo de escolaridade anterior. Após uma tentativa de suicídio, em 1934, que lhe danificou os pés, o pai concordou finalmente em deixá-la desenhar. Assim sendo, aprendeu sozinha, nunca tendo frequentado aulas de desenhos/artes. Os seus motivos eram sobretudo as flores (que considerava símbolos de felicidade e beleza), mas também paisagens, retratos e naturezas-mortas. Muitas vezes combinava duas estações numa só obra, fazendo a passagem de uma para a outra na tela. Dava preferência à tinta a óleo e muitos dos seus pincéis foram feitos com pêlos da cauda do seu gato. As suas obras, que misturam um pouco de arte primitiva e pintura decorativa folk, são originais, de cores vivas e revelam uma grande atenção ao pormenor. Contribuiu para o caminho que levou à Arte Naïf. Fora da Ucrânia, poucos conheceram o seu trabalho enquanto era viva. Em 1956, foi nomeada a Artista do Povo Ucraniano.

Kateryna Bilokur, Flores, 1940. Fonte: ArtHive.

Esquerda: Kateryna Bilokur, Trigo, Flores e Uvas, 1950-1954. Fonte: WikiArt.
Direita: Kateryna Bilokur, Retrato das Sobrinhas, 1939. Fonte: TotallyHistory.

Margit Sielska-Reich (Kolomyya, 1903 – Lviv, 1980)

Fonte: Wikipedia.



Margit Sielska-Reich estudou na Cracóvia, em Viena e em Paris, sendo que nesta última cidade foi largamente influenciada pela obra de Fernand Léger (1881-1955). Também a influência do Surrealismo se faz notar nas suas obras, com a sua paleta cromática variada e expressiva, num quase encontro com Marc Chagall (1887-1985). Tendo sido obrigada a praticar o Realismo Socialista, muitas das suas obras são retratos e paisagens naturais.
Como era judia, em 1942, foi presa pela Gestapo, tendo sido levada para o ghetto de Lviv de onde, mais tarde, conseguiu fugir. Após passar por várias cidades e conseguindo finalmente falsificar um certificado de raça ariana, esconde-se no estúdio de um colega pintor, em Varsóvia e assim consegue sobreviver à Segunda Guerra Mundial.

Margit Sielska-Reich, Baía, óleo sobre tela, 1960. Fonte: ArtInfo.

Esquerda: Margit Sielska-Reich, Nu Cor-de-Rosa, óleo sobre contraplacado, 1929-1930. Fonte: ArtInfo.
Direita: Margit Sielska-Reich, Retrato no Interior, guache e aquarela sobre papel, 1929. Fonte: Desa.

Maria Prymachenko (Bolotnya, 1909 – Bolotnya, 1997)

Fonte: Publico.

Maria Prymachenko era uma mulher do campo que nunca estudou Arte, mas que tinha uma grande vontade de criar beleza e uma percepção sensível da realidade. O seu objectivo maior era o de que a sua arte trouxesse ao de cima ideias, sentimentos e impressões. Tendo começado pelo bordado, que aprendeu com a sua mãe, muda para a pintura nos anos 1930. Começa por utilizar aquarela, mas mudou para o guache, técnica que preferia pela base brilhante e espessa que cria para os contornos, permitindo-lhe alcançar expressividade com cores e linhas. Os fundos das suas obras começam por ser brancos para depois tomarem-se de cores vibrantes, tal como as restantes cores que utilizava. As suas imagens são uma combinação da sua imaginação (sendo que muitas delas via-as em sonhos que mais tarde incluía nas suas composições) com o conteúdo da poesia folk ucraniana. Criaturas do mundo mitológico e zoológico que realizam tarefas humanas e que nascem nas lendas e contos de fadas, nutridos pela vida real e cultura do povo ucraniano. Nos anos 1970, começou a incluir pequenas frases e provérbios no reverso da obra, os quais estavam relacionados com a imagem. As obras de Prymachenko são temáticas, simbólicas e ornamentais, num constante apregoar de anti-guerra, nas quais o bem vence sempre o mal.
Nunca aceitou dinheiro pelas suas obras, tendo-as oferecido a amigos e vizinhos.
Algumas das suas obras perderam-se há poucos dias, aquando o incêndio do Invankiv Historical and Local History Museum, devido à invasão da Ucrânia por parte da Rússia. Incialmente, foi reportado que teriam sido 25 as obras destruídas, mas é agora dito que algumas foram salvas por um cidadão que entrou no edifício em chamas.

Maria Prymachenko, Pombo e Pomba, 1982. Fonte: TwitterMariaPrymachenko.

Esquerda: Maria Prymachenko, Eu Dou as Minhas Estrelas Pequeninas às Crianças, 1983. Fonte: HandmadeCharlotte.
Direita: Maria Prymachenko, Permitam-me dar este Pão Ucraniano a Todas as Pessoas no Mundo, 1982. Fonte: MyModernMet.

Tetjana Nilovna Yablonskaya (Rússia, 1917 – Ucrânia, 2005)

Fonte: WikiArt.

Tetjana Nilovna Yablonskaya foi educada desde nova para se tornar artista. Estudou na Academia Nacional de Artes e Arquitectura, em Kyiv. Acabou a faculdade na mesma altura em que começava a Segunda Guerra Mundial, sendo evacuada para uma quinta colectiva, onde, grávida do seu primeiro filho, tinha que trabalhar arduamente nos campos. Após a guerra, volta a Kyiv onde começa a sua carreira artística.
As suas telas caracterizam-se pelo sentido estético muito desenvolvido no que toca à cor e à sua grande luminosidade, sendo, portanto, quadros luminosos nos quais sobressaem as cores mais claras, muitas vezes em tons pastéis. Mesmo com a realidade do socialismo soviético, conseguiu actualizar as tradições do mundo e da arte ucraniana. Pintava num género Impressionista tímido, fugindo a Realismo Socialista que marcava o mundo soviético e que, por isso, fez a sua obra ficar escondida durante algum tempo. Interessada em retratar a vida quotidiana da qual fazem parte as famílias, os trabalhadores, pintando também paisagens e naturezas-mortas – tópicos diversos mas simples que, assim, eram populares. Em 1960, pintou uma série de quadros que mostram o campo ucraniano, utilizando um estilo baseado nas artes tradicionais do país. Com Pão dá-se o ponto de viragem da sua carreira, pois capturou o amor e paixão dos trabalhadores a quem todos atribuíam significado político por as considerarem heroínas.
Mesmo tendo sido tornada numa espécie de símbolo pela sua cidadania, enfrentou várias vezes o poder, nomeadamente pelo controlo que este tinha sobre a Arte. Uma carreira guardada nas reservas do Museu Nacional de Arte, na Ucrânia, após uma vida em que viu todas as suas obras aposentadas, tendo também sido banida de leccionar e morar em Kyiv.

Tetjana Nilovna Yablonskaya, Pão, 1949. Fonte: Pinterest.

Esquerda: Tetjana Nilovna Yablonskaya, Auto-Retrato, óleo sobre tela, 1945. Fonte: WikiArt.
Direita: Tetjana Nilovna Yablonskaya, Manhã, óleo sobre tela, 1954. Fonte: PaintingPlanet.

Elena Nilovna Yablonskaya (Smolensk, 1918 – Kyiv, 2009)


Elena Nilovna Yablonskaya, irmã de Tetjana Nilovna Yablonskaya, estudou no Kyiv Art College, onde fez um curso de três anos em apenas um. Devido à Segunda Guerra Mundial, adiou a sua carreira artística até 1943 para trabalhar como contabilista, sendo mais tarde galardoada com uma medalha pelo labor patriótico.
A sua obra mostra-se em pintura de cavalete e grafismo para livros, tendo sido ilustradora durante cerca de 20 anos. As suas temáticas centravam-se nas paisagens, no retrato e nas cenas de género, às quais dava uma paleta cromática viva, que se faz também sentir através da textura da tela que a pincelada deixa ver. Conduziu ainda actividade pedagógica, sendo que, na Escola de Artes, ensinava sobretudo artistas gráficos e escultores. Aprendeu com o pai a sua invulgar abordagem ao desenho.

Elena Nilovna Yablonskaya, Jovens Naturalistas, óleo sobre tela, 1964. Fonte: ArtHive.

Esquerda: Elena Nilovna Yablonskaya, Tabaco à Janela, óleo sobre tela, 1945. Fonte: ArtHive.
Direita: Elena Nilovna Yablonskaya, Cidade Natal, óleo sobre tela, 2006. Fonte: AskArt.

Liudmyla Nikolaevna Semykina (1924-2021)



Liudmyla Nikolaevna Semykina estudou no Kyiv State Art Institute e foi uma pintora e designer. Pintava sobretudo vistas de Odesa, naturezas-mortas, paisagens de campo e marítimas, utilizando cores vivas com muito uso do azul escuro, do amarelo e do vermelho. Pertenceu ao Clube da Juventude Criativa. É expulsa do Sindicato dos Artistas Ucranianos devido às suas actividades políticas, voltando 20 anos depois. Nesse período de interregno, dedica-se a pintar desenhos e outfits com motivos folk ucranianos.

Liudmyla Nikolaevna Semykina, Vencedores das Competições, óleo sobre tela, 1951. Fonte: Oknasocrealisma.

Esquerda: Liudmyla Nikolaevna Semykina, Feriado, óleo sobre tela, 1968. Fonte: ArtHive.
Direita: Liudmyla Nikolaevna Semykina, No Atelier, óleo sobre tela, 1958. Fonte: ArtHive.

Halyna Sevruk (Uzbequistão,1929 – 2022)

Halyna Sevruk nasceu no Uzbequistão, mas mudou-se para Kharkiv no ano seguinte com a família. Em 1944, mudam-se para Kyiv. Começou por estudar pintura, graduando-se na Kyiv State Art Institute, tendo mais tarde percebido que o que ali aprendeu e fez não ia de encontro às suas aspirações artísticas. Ao trabalhar como decoradora de edifícios, aprendeu como incorporar elementos da arte, história, cultura e linguagem ucraniana nos seus trabalhos. Foi, então, uma artista notória principalmente pelos seus mosaicos e cerâmicas monumentais para instalação em edifícios, experimentando a cerâmica com diversos materiais. Continua a desenhar com inspiração no folk e nos contos de fada, atingindo o reconhecimento por retratar figuras da história, mitologia e folclore ucraniano. As suas figuras de género muito próprio aparecem por entre uma paleta cromática de tons sobretudo neutros.
Pertenceu ao Clube da Juventude Criativa e, tal como muitos outros artistas da época, foi uma dos chamados Sixtiers, nome dado aos artistas ucranianos que rejeitavam o princípio do Realismo Socialista recusando que os seus trabalhos servissem os interessem das autoridades soviéticas. Assim, não é de estranhar que tenha sido expulsa do Sindicato de Artistas Ucranianos por assinar a Carta de Protesto 139, contra ilegalidades levadas a cabo pelo poder. Reingressa 20 anos depois, em 1989. Fez retratos de muitos artistas dissidentes, seus colegas.

Halyna Sevruk, Um Caleidoscópio de Imagens, 2007. Fonte: EncyclopediaOfUkraine.

Esquerda: Halyna Sevruk, Em Memória de Alla Horska. Trembitas, 1971. Fonte: EncyclopediaOfUkraine.
Direita: Halyna Sevruk, Madonna Cossack, 1971. Fonte: EncyclopediaOfUkraine.

Halyna Zubchenko (Kyiv, 1929 – Kyiv, 2000)

Fonte: WikiWand.



Halyna Zubchenko estudou no Kyiv State Art Institute e foi pintora, muralista e activista social. Conhecida sobretudo pela sua série de pinturas das montanhas dos Cárpatos, que visitou algumas vezes, e nas quais retrata o campo e o povo dos Hutsuls, sobretudo homens e crianças. As suas obras, com recurso a cores fortes e variadas, mostram um estilo só seu, principalmente por retratar aquilo que poucos conhecem. Criou muitas obras monumentais para decorar edifícios, as quais fez com o apoio de outros artistas, como é o caso de Alla Horska.
Mais um dos membros do Clube da Juventude Criativa. Integra o Sindicato dos Artistas Ucranianos, em 1965.

Halyna Zubchenko, Retrato de uma Rapariga com um Homem, aquarela sobre papel, não datado. Fonte: Treasures.

Esquerda: Halyna Zubchenko, esboço de uma vitral para um café, c. 1960. Fonte: Treasures.
Direita: Halyna Zubchenko, Princesa Gannusya, 1962. Fonte: WikiWand.

Alla Horska (Ialta, 1929 – Vasylkiv, 1970)

Fonte: Archive-UU.

Alla Horska foi uma pintora monumental graduada pelo Kyiv State Art Institute. A par de ser uma das primeiras representantes do movimento artístico underground ucraniano, fez parte dos Sixtiers e foi também uma das fundadoras do Clube da Juventude Criativa, em 1962, clube esse que teve um papel importante no movimento cultural dessa década. Começou com obras que mostravam o trabalho nas minas, criando pinturas que se alinhavam com o sistema soviético, mas, há medida que o tempo passou, ficou mais encantada pelo espírito e ideias da verdadeira cultura ucraniana, o que levou a que alguns dos seus trabalhos fossem destruídos e à sua expulsão do Sindicato de Artistas. Os seus trabalhos principais são pinturas e mosaicos de fantasia monumentais que decoram, tanto interna como externamente, escolas, museus e restaurantes, muitas vezes em colaboração com outros artistas, embora muitos não tenham passado de esboços. As suas telas a têmpera são avant-garde, um género fora da arte oficial, com composições alongadas e formas monumentais às quais dava um grande uso da cor sempre apresentada de forma forte.
Activista pelos direitos humanos, tendo apoiado as famílias de muitos prisioneiros políticos, muitas vezes deixando-os ficar em sua casa. Em 1968, assina a Carta de Protesto 139, que viria a deixá-la sob a mira da KGB. É assassinada em 1970 e embora o caso não tenha sido resolvido de forma verdadeira (apontou-se o sogro como culpado, que logo a seguir se suicidou), muitos acreditam que tenham sido eles os responsáveis. O seu funeral foi como que uma campanha da resistência civil.

Alla Horska, Bandeira da Vitória, painel de mosaicos, 1968-1969, Ucrânia. Fonte: DailyArtMagazine.

Esquerda: Alla Horska, ABC, 1960. Fonte: EncyclopediaofUkraine.
Direita: Alla Horska, Girassóis, 1960. Fonte: DailyArtMagazine.

Henrietta Levytska (Odesa, 1930 – Lviv, 2010)

Fonte: Archive-UU.

Henrietta Levytska estudou no Lviv State Institute of Applied and Decorative Arts e ao mesmo tempo adquiria algum conhecimento sobre o mundo abstracto. Quando termina o curso, trabalha sobretudo como artista monumental, um pouco por todo o país, nomeadamente em sítios como paragens de autocarro e interiores de edifícios culturais, com recurso a técnicas de mosaico e de painéis em sgraffito (técnica de decoração de parede produzida pela aplicação de camadas de gesso coloridas em cores contrastantes a uma superfície umedecida ou em cerâmica). Nos anos 1960, experimenta as técnicas pictóricas e gráficas modernistas, seguindo um pouco do que faziam Georges Braque (1882-1963) e Pablo Picasso (1881-1973), destacando-se os retratos de seus contemporâneos em modo neo-avant-garde. A meio da década, colaborava de perto com os artistas gráficos da Art Fund, algo que a levou a achar apelativo o mundo das impressões gráficas, alcançando perfeitas reminiscências modernistas em litografias (tendo inspirado vários amigos e colegas a seguir este caminho), água-forte e gravura. No início da década de 1970, volta à forma realista, mas adoptando uma perspectiva de metáfora e grotesco, sendo possível encontrar problemas de natureza existencial e de alienação social. Na segunda metade da década, cria composições hight-tech, balançando imagens gráficas com metafísicas, desenvolvendo temas bíblicos e de revolta pós-industrial. Em 1979, realiza, no seu estúdio, o primeiro Graphics Day, algo que se torna tradição anual entre os artistas gráficos de Lviv. Nos anos 1990, está envolvida no estilo Barroco, fazendo o restauro de inúmeros ícones para igrejas ucranianas. Representativa da cena underground de Lviv entre as décadas de 1960 e 1980, nunca deixou de experimentar novas técnicas e diferentes materiais, ficou conhecida por ser multifacetada e pelo seu cuidado ao desenhar detalhes, mesmo nas obras mais pequenas.

Henrietta Levytska, Casamento em Kosmach (lado esquerdo do tríptico), têmpera, 1967-1968. Fonte: Archive-UU.

Esquerda: Henrietta Levytska, da série Homens Velhos, água-forte, c. 1970. Fonte: Archive-UU.
Direita: Henrietta Levytska, Retrato de Tetiana Kutkovets, óleo sobre tela, c. 1970. Fonte: Archive-UU.

Ada Rybachuk (Kyiv, 1931 – 2010)

Fonte: Archive-UU.

Ada Raybachuk estudou na Kyiv State Art Institute e foi muralista, pintora, escultora e arquitecta, não deixando de parte as artes decorativas e as artes aplicadas. Trabalhou muitas vezes em dupla com o marido Volodymyr Melnychenko (n.1932). A sua primeira encomenda artística consistiu em criar ilustrações para um livro, dando o mote para uma carreira também muito focada no mundo infantil. Faz várias viagens ao Norte com o marido (num conjunto total de sete anos), das quais resulta uma série de obras, onde trabalha sobretudo os temas da memória histórica e cultural, a herança e a vida dos indígenas. A sua paleta cromática é maioritariamente sóbria. Também ela se afastou dos princípios do Realismo Socialista que comandava a Arte da época, algo que se reflectiu na obra Memory Park, realizada em conjunto com o marido, que vê ser destruída (elementos cobertos a cimento) após 13 anos de trabalho e sem a mesma estar concluída, por ordem das autoridades soviéticas.
Galardoada com vários prémios, sobretudo pelas obras monumentais.

Memory Park, Kyiv. Fonte: SocialistModernism.

Esquerda: Ada Rybachuk, Presidente Mira Ivanivna, gravura, 1962-1963. Fonte: Archive-UU.
Direita: Ada Rybachuk, ilustração para o conto Pata Verde, guache e aplicações sobre cartão, 1961. Fonte: Archive-UU.

Zoya Lerman (Kyiv, 1934 – 2014)

Fonte: Centropa.

Zoya Lerman, também parte da cena underground ucraniana, conseguiu criar a sua voz artística com um mundo único de sensualidade na tela, apesar da estética que dominava. Mesmo trabalhando fora do Realismo Socialista, o facto de não incluir a política nas suas obras tornava-lhe possível vê-las aceites pelo poder soviético, embora tenha sido difícil conseguir singrar. Obras líricas, poéticas, sensuais e carregadas de tons emocionais que mostram personagens um pouco plásticas, mas graciosas. As poses e corpos que nos mostra são desproporcionados e utilizados para provocar conflito, pois Lerman pretende retratar sentimentos e estados de espírito, não corpos. A cor aparece como um elemento importante, com recurso sobretudo a tons vivos que ajudam a enfatizar o seu trabalho. Tem também uma série de telas brancas pintadas com tinta branca, pois no ideal da artista o branco significa amor. Após vários eventos marcantes na sua vida, a calma e o perfeito desaparecem das suas telas, começando a trabalhar num modo de trevas.

Zoya Lerman, Rosas para Estaline, óleo sobre tela, 1949. Fonte: DailyArtMagazine.

Esquerda: Zoya Lerman, A Esposa de Patrick, 1999. Fonte: DailyArtMagazine.
Direita: Zoya Lerman: Dançarinos, 1997. Fonte: Pinterest.

Lyubov Panchenko (Bucha, 1938)

Fonte: Treasures.

Lyuboy Panchenko mostrou desde cedo vontade em ser artista, porém esta nunca foi aceite pela sua família, sendo que lhe batiam se a vissem a desenhar. Assim, não é de estranhar que também não tenha recebido a poio enquanto estudava, o que se manifestou nas grandes dificuldades pelas quais passou a nível de saúde por ter uma alimentação deficitária.
Com vontade de aprender um pouco de tudo, tornou-se uma artista multifacetada e as suas composições ornamentais gráficas chamaram a atenção desde o primeiro momento. Por entre pinturas decorativas, obras gráficas, aplicações em tecido e esboço de roupa, descobriu que o seu caminho era, exactamente, o de designer de moda. Os seus designs de bordados foram publicados na Soviet Woman, uma das principais revistas femininas da Ucrânia, e, a partir daí, foram replicadas por mestres de todo o país. Desde sempre foi uma grande apoiante da língua e cultura ucranianas, fazendo vários designs para roupas de coro, pintando os tradicionais ovos da Páscoa e ajudando monetariamente os presos políticos. Embora nunca tenha desenvolvido muito forte, sempre expressou a vontade de ver o seu país livre de proibições e obrigações que apagavam o espírito do seu povo. Assim sendo, em todos os seus trabalhos são motivos ucranianos, com grande recurso à Arte Folk. Hoje em dia, as suas obras fazem parte de colecções de museus e amigos, mas nunca foram expostos durante a governação soviética. A sua sobrevivência foi possível graças ao trabalho que sempre desenvolve no campo do bordado. As suas obras são muito coloridas e nelas vemos formas geométricas alongadas que constroem a imagem final. Cada uma dessas formas tem uma cor.

Lyubov Panchenko, Red Viburnum, colagem com tecido de casaco, não datado. Fonte: Treasures.

Esquerda: Lyubov Panchenko, Besta, canetas de filtro sobre papel, não datado. Fonte: Treasures.
Direita: Lyubov Panchenko, casaco e peça de cabeça, não datado. Fonte: Treasures.

Oksana Mas (Illichivsk, 1969)

Fonte: StringFixer.

Oksana Mas é uma artista multifacetada que trabalha a pintura, a arte gráfica, a escultura, a instalação e fotografias de grande escala, tendo ainda lugar para a construção e design urbano um pouco por toda a Europa. Elabora uma percepção de estética do ser humano durante tempos drásticos, sejam eles por motivos sociais ou geo-políticos, sentidos por todas as gerações, independentemente do tempo ou do local. Tendo conhecimento em várias áreas, como a Ciência e a Filosofia, pretende desenvolver um novo código cultural e facilitar o diálogo entre vários grupos sociais e religiões. Seja qual for o meio, cria obras com camadas interligadas que imergem o público, desafiando-o a descobrir novas imagens e significados. Experimenta constantemente vários materiais e técnicas, criando os seus próprios métodos e combinações. No lado 3D cria obras com recurso a cabedal, plástico e peças antigas de carros. A sua obra está associada a vários movimentos como a Estética Relacional, o Neo-Expressionismo, o Revival dos anos 1990, a Arte Digital e a Arte Científica.

Oksana Mas, Jaula, colagem e acrílico sobre tela, não datado. Fonte: SaatchiGallery.

Esquerda: Oksana Mas, Esfera de Renascença Boa e Espiritual, ovos pintados, não datado. Fonte: RakArtFoundation.
Direita: Oksana Mas, Quantum Prayer, vidro e partes de automóvel, 2013. Fonte: Glasstress.

Vlada Ralko (Kyiv, 1969)

Fonte: Independent.

Vlada Ralko é graduada pela Academia Nacional de Artes Visuais e Arquitectura e membro do Sindicato Nacional de Artistas Ucranianos desde 1994. Trabalha a escultura e a instalação, mas sobretudo a pintura monumental e o desenho, os quais usa para levantar questões de identidade, dos contextos políticos e sociais, mostrando a dor de um corpo colectivo. A sua obra é caracterizada por um estilo emotivo e ríspido, que revela sensualidade, expressão (à moda dos artistas vienenses do século XX) e realidade corporal. Recorre a uma paleta cromática vívida e variada que vai desde o azul pálido ao vermelho vivo (muitas vezes confundido com sangue) e ao preto espesso, não esquecendo o cor-de-rosa que pontua todas as suas obras. A tinta cria muitas vezes tensão entre a agressividade das figuras representadas que surgem com uma anatomia que contrasta com as reflexões traumáticas da guerra e da revolução. Assim, ao repensar a realidade turbulenta da Ucrânia, Ralko cria o seu próprio espaço mitológico, o que a leva a ser reconhecida como uma das 100 figuras mais influentes na cena cultural ucraniana.

Vlada Ralko, da série Casamento, óleo sobre tela, 2019. Fonte: ArtFacts.

Esquerda: Vlada Ralko, Rapariga e Morte, aquarela e caneta sobre papel, 2016. Fonte: YaGallery.
Direita: Vlada Ralko, da série Sinais, óleo sobre tela, 2008. Fonte: NewArtDealers.

Olesya Hudyma (Ternopil, 1980)

Fonte: Facebook.

Olesya Hudyma é graduada em Jornalismo, desde 2003, área da qual desistiu passados quatro anos, para se tornar pintora a tempo inteiro. O seu estilo é emocionalmente evocativo da identidade da Ucrânia, criando peças que são fundamentais para compreender a população ucraniana. Mostra-o em pinceladas rápidas de cores variadas e opulentas que não omitem a textura da tela, vagueando pelos tons da vanguarda ucraniana que abraça o Novo Realismo dos mesmos. A sua temática divide-se em cinco grupos por si intitulados: Sonâmbulo, Anjos da Paz para a Ucrânia, Passos, Madonna Ucraniana e Flores, trabalhando continuamente as várias séries. Também o seu estilo varia tendo em conta o que pinta, andando entre a Arte Abstracta, o Expressionismo, o Simbolismo, a Magia Simbólica e o Pós-Modernismo Contemporâneo.

Olesya Hudyma, Paz de Espírito, óleo sobre tela, não datado. Fonte: SaatchiGallery.

Esquerda: Olesya Hudyma, Céu Limpo, 2018. Fonte: OlesyaHudyma.
Direita: Olesya Hudyma, Anjo Brilhante, 2020. Fonte: OlesyaHudyma.

Olha Pilyugina (Reshetylivka, 1982)

Fonte: Facebook.


Olha Pilyugina pertence a uma família famosa por trabalhar a tapeçaria, não sendo de estranhar que tenha começado a trabalhar profissionalmente na área aos onze anos. Cria à mão com recurso à técnica tradicional da tapeçaria de dois lados, mostrando temas tradicionais ucranianos. As suas peças abundam de cores e motivos ricos, variando em tamanho e forma e que surpreendem sempre a nível da paleta cromática e decoração. Uma arte que está, digamos assim, em vias de extinção, pois a rapidez e o dinamismo dos dias de hoje não torna apelativa uma arte que leva muito tempo até alcançar o resultado final, sendo também já poucos os que restam para ensinar.

Olha Pilyuhina, Namoro, fios de lã em tecelagem manual, 2019. Fonte: OlhaPilyuhina.

Esquerda: Olha Pilyuhina, A Anunciação, fios de lã em tecelagem manual, 2017. Fonte: OlhaPilyuhina.
Direita: Olha Pilyuhina, Girassóis, fios de lã em tecelagem manual, 2010. Fonte: OlhaPilyuhina.

Alena Kuznetsova (n.1986)

Fonte: NVAIR.

Alena Kuznetsova trabalha, desde 2007, no campo da pintura não-objectiva, referindo-se aos temas da cor, à presença-ausência da imagem, aos ascetismo dos media, à linguagem e fluidez. A sua pintura apresenta várias camadas sem narrativa, tratando-se apenas de uma composição feita com recurso a vários materiais. Nos últimos anos, tem-se focado no conceito filosófico da imagem na Arte, manifestando-se nos mais de dez anos de pesquisas sobre a cor como fenómeno independente na Arte Abstracta, com a qual joga em alternado com a Arte Conceptual. As suas obras estão livres de distracções, de forma a que nos possamos focar nos seus vários elementos e fugir de toda a informação que sobrecarrega o nosso dia-a-dia. A chave para entender estas obras é prestar atenção às sensações que elas nos provocam.

Alena Kuznetsova, Kill Bill #5, óleo sobre tela, 2017. Fonte: AlenaKuznetsova.

Esquerda: Alena Kuznetsova, Grande Turquesa, técnica mista sobre madeira, 2016. Fonte: AlenaKuznetsova.
Direita: Alena Kuznetsova, Carne #5, tinta acrílica e esferográfica sobre tela, 2014. Fonte: AlenaKuznetsova.

Pazza Pennello (Odesa, 1987)

Pazza Pennello vive e trabalha em Kyiv. A sua obra centra-se em pinturas, desenhos, instalações e produções audiovisuais nas quais é visível uma forte influência da estética Pop, bem como uma forte crítica política sobre a cortina de ferro no período soviético. Brinca muitas vezes com o nu feminino e com imagens do mundo das séries animadas e de produtos. Esses produtos que insere nos seus trabalhos são, normalmente, os que surgiram na Ucrânia após a queda da cortina de ferro, mostrando assim o encantamento inicial e o choque cultural sentido com esta inserção de bens europeus e americanos que eram raros e valiosos para a sociedade ucraniana. Temas como o feminismo, a sexualidade e a censura, inseridos em cenas domésticas que remontam aos anos 1980, são muito abordados, temas esses ignorados durante o controlo soviético, pois eram vistos como imorais e indecentes: mulheres que querem assumir-se como ser sexual, mas que, ao mesmo tempo, não mostram quem são, devido à opressão do sistema. Exceptuando as obras em que insere personagens e produtos, a sua paleta cromática centra-se sobretudo em tons mais primários, sendo o amarelo uma constante juntamente com o preto, usado principalmente para contorno.

Pazza Pennello, Super Voyeur, tinta acrílica sobre tela, 2017. Fonte: Facebook.

Esquerda: Pazza Pennello, Provar o Paraíso, técnica mista, não datado. Fonte: ArteRef.
Direita: Pazza Pennello, Juventude, tinta acrílica sobre tela, 2017. Fonte: SaatchiGallery.

Lisa Bukreyeva (n. 1993)

Fonte: Twitter.

Foi em 2019 que Lisa Bukreyeva começou o seu caminho pela Fotografia e desde aí já participou em várias exposições e foi galardoada com alguns prémios. As suas imagens são sobretudo fotografias de rua e em modo documental, sendo que o que a cativa nesta Arte é o nunca saber o que a espera nem as pessoas que vai conhecer, quando sai para fotografar. Para além da sua obra reflectir o ambiente e as pessoas, reflecte também o tempo e o espaço que ela viveu e ocupou, bem como a disposição sentida. O ser capaz de criar conexões com o objecto fotografado, seja ele uma rua ou uma pessoa, torna-se, assim, um elemento importante na sua obra. Não é uma Arte vazia. Trabalha por séries nas quais são perceptíveis várias ligações à cultura e aos costumes ucranianos, nem que seja pelo título que lhes dá. Um trabalho pessoal que comunica com as acções e pensamentos mais naturais e banais do ser humano.

Lisa Bukreyeva, da série After School, 2021-actualmente. Fonte: LisaBukreyeva.

Esquerda: Lisa Bukreyeva, da série Dead Water, 2021. Fonte: LisaBukreyeva.
Direita: Lisa Bukreyeva, da série Where I Was Born, 2020-actualmente. Fonte: LisaBukreyeva.

Tal como, infelizmente, acontece nos dias que correm, foram já muitas as dificuldades que o povo ucraniano teve que enfrentar. Embora não tenha sido aqui contada nenhuma história de problema a singrar no mundo da Arte por ser mulher, muitas destas artistas tiveram que enfrentar, ainda assim, vários obstáculos para conseguir mostrar a sua Arte ao mundo e mesmo ao seu país.
Tiremos daqui a vontade que estas mulheres tiveram de mostrar como era a verdadeira Ucrânia, muitas delas sem temer o que poderia advir dessa luta contra o poder soviético e a Arte imposta do Realismo Socialista. Queriam ser livres não só enquanto pessoas, mas também enquanto artistas e, por isso, a luta foi e é necessária.

3 pensamentos sobre “Dia Internacional da Mulher: 24 Artistas Ucranianas que Devem Conhecer

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