Roubo de Arte: de 1473 a 1975

Num mundo com milhares de séculos de existência, são inúmeros os roubos de bens culturais e patrimoniais – basta pensar na relação de povos colonizadores e colonizados, em todas as guerras e invasões pelas quais passámos e continuamos a passar desde o início dos tempos, os achados arqueológicos levados a cabo por estrangeiros que optam por levar as peças para o seu país Natal em vez de as deixar no país a que pertencem (como o caso de Parthenon), não esquecendo a destruição que alguns desastres naturais também provocam neste sector.

Esses casos de maiores dimensões são muito importantes e merecerão o seu espaço no proximArte, mas hoje quero focar-me em roubos de Arte mais pequenos: aqueles que aconteceram em galerias e museu e, vejam bem, em barcos. Sendo que são já muitos os casos registados, apresento-vos oito casos numa cronologia compreendida entre 1473 (o primeiro roubo de Arte documentado) e 1975, deixando casos posteriores para próximos artigos.

O Último Julgamento, Hans Memling, roubo de piratas polacos a um navio inglês, 1473

Hans Memling, O Último Julgamento, óleo e têmpera sobre madeira, 1467-1473. Gdańsk National Museum. Fonte: Wikipedia.

Apesar dos vários roubos que sabemos terem acontecido, por exemplo, na Antiguidade Clássica, é em 1473 que é documentado o primeiro roubo de uma obra-de-arte e, tal como não poderia deixar de ser tendo em conta a época, envolve piratas.

Em 1467, o italiano Angelo Tani comissionou uma pintura que deveria integrar o altar de uma capela dedicada a São Miguel, em Fiesole. O trabalho ficou a cargo do pintor holandês Hans Memling (1430-1494) e resultou num tríptico de nome O Último Julgamento. Aquando o seu transporte dos Países Baixos para Florença, em Abril de 1473, o navio que o levava foi roubado por piratas polacos a mando de Paul Benecke. Assim, a obra foi levada para a Basílica da Assunção, em Gdańsk, na Polónia, cidade onde ainda hoje se encontra, mas agora em exposição no National Museum.

O caso foi levado a tribunal papal, sendo que os polacos foram salvos de acusações ao ver os seus actos legitimados com a desculpa de que a Liga Hanseática estava em guerra com a Inglaterra, a quem pertencia o navio, e por isso este podia ser considerado um acto de guerra.
Tendo em conta o modo como a obra chegou à Polónia, os italianos continuam a tentar reavê-la.

Mona Lisa, Leonardo da Vinci, Musée du Louvre, Paris, França, 1911

Se se perguntam se a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci (1452-1519), sempre foi a obra mais conhecida do mundo, a resposta é não. De facto, foi relativamente há pouco tempo, a 21 de Agosto de 1911, que ela adquiriu esse estatuto: foi nesse ano que o italiano Vincenzo Peruggia, um ex-trabalhador do museu contratado para colocar vidro em algumas molduras, incluindo a Mona Lisa, decidiu passar a noite num armário do Musée du Louvre para roubar a obra e fugir com ela. Mais incrível ainda é que, quando o assaltante se preparava para sair do Museu, reparou que a porta estava trancada. Ainda tentou resolver a situação ao tirar a maçaneta da porta, mas como não teve sucesso pediu ajuda a um funcionário do turno da noite que passava, o qual lhe abriu a porta e não viu nem desconfiou de nada.

O roubo é notado no dia seguinte por dois artistas que se dirigiram à sala onde a Mona Lisa deveria estar para uma sessão de estudo. Quando não viram a pintura, alertaram imediatamente os seguranças do Museu, o qual é fechado para dar início às investigações.
O Louvre permaneceu fechado durante uma semana e aquando a sua reabertura foram colocadas flores no espaço deixado pelo quadro, sendo que, pela primeira vez, se formaram filas de visitantes à porta do Museu, com a única intenção de ver o vazio na parede.

Em França, foram tomadas algumas medidas para encontrar a obra o mais rápido possível: fecharam as fronteiras; foi oferecida uma recompensa generosa a quem encontrasse o quadro; e durante semanas todas as pessoas vistas a carregar um pacote eram revistadas.
Rapidamente o caso tomou grandes proporções à escala internacional, o que significa que, a partir desse momento, seria muito difícil ou até mesmo impossível conseguir vender o quadro, pois todos sabiam que fora roubado.

Entre alguns dos suspeitos interrogados e detidos temos, por exemplo, o poeta Guillaume Apollinaire (1880-1918) que, por sua vez, disse que talvez Pablo Picasso (1881-1973) tivesse algo que ver com o assunto. Ambos foram ilibados, mas sem dúvida que os Modernistas estavam debaixo de mira, pois desconfiava-se que podiam ter cometido o roubo como protesto contra a Arte tradicional.

Peruggia escondeu a obra debaixo das tábuas do soalho do seu apartamento, na capital francesa. 28 meses mais tarde tentou novamente vendê-lo a um comerciante florentino, o qual informou o então director das Galerias Uffizi, que, por sua vez, prometeu guardar a pintura. Na verdade, informou imediatamente a polícia e o caso resolveu-se dessa forma, em Dezembro de 1913.

Ao ser detido, Peruggia confessou que a sua ideia era a de devolver um bem italiano ao seu país, pois achava que Mona Lisa estava em França por ter sido roubada por Napoleão Bonaparte 1769-1821), aquando as Invasões Francesas. No entanto, o porquê da obra estar em Paris é muito simples: Da Vinci trabalhou nela aquando a sua estada na cidade e, após a sua morte, em 1519, o Rei Francisco I comprou-a.
O assaltante teria uma lista de obras italianas saqueadas por Napoleão e quis devolver pelo menos uma – só escolheu mal. Ficou preso durante uns meros sete meses.

O facto de Vincenzo Peruggia ter conseguido fugir com a Mona Lisa escondida debaixo do seu casaco (algo que demonstrou mais tarde, aquando a recuperação do quadro), prova a pouca segurança que existia no Museu, como de resto era natural na época.

Dulwich Picture Gallery, Londres, Inglaterra, 1966

Esquerda: Rembrandt, Jacob de Gheyn III, óleo sobre madeira, 1632. Dulwich Picture Gallery. Fonte: DulwichPictureGallery.
Direita: Gerard Dou, Mulher a Tocar um Clavicórdio, óleo sobre madeira. c. 1665. Dulwich Picture Gallery. Fonte: ArtUK.

A 31 de Dezembro de 1966, a Dulwich Picture Gallery, em Londres, é assaltada. São levadas oito pinturas avaliadas num total de três milhões de libras: Rapariga à Janela, Retrato de Titus e Jacob de Gheyn III, de Rembrandt (1606-1669); Três Mulheres com uma Cornucópia, Santa Bárbara e As Três Graças, de Peter Paul Rubens (1577-1640); Mulher a Tocar um Clavicórdio, de Gerard Dou (1613-1675); Susana e os Anciãos, de Adam Elsheimer (1578-1610).
Tal como todos os roubos de Arte que aconteciam nesta altura, foi relatado como o maior de sempre. O Museu ofereceu apenas mil libras (tendo em conta o valor conjunto das obras roubadas) para que as peças fossem devolvidas em segurança.

A ideia dos ladrões era vendê-las no mercado negro, mas não chegaram sequer a ter oportunidade de o fazer, pois a Polícia conseguiu resolver o caso em poucos dias. Um dos assaltantes, que trabalhava como condutor de ambulância, foi condenado a cinco anos de prisão.

A obra Jacob de Gheyn III, de Rembrandt e cuja imagem podem ver acima, foi apelidada pelo The Guinness Book of World Records como “Takeaway Rembrandt”, isto porque a obra foi roubada pela primeira vez neste ano de 1966, mas também em 1973, 1981 e 1983, tornando-a uma das obras mais vezes roubada – mas não a mais. Apesar de ter desaparecido estas quatro vezes, foi sempre recuperada e continua a fazer parte da exposição permanente do Museu que, obviamente, decidiu melhorar o seu sistema de segurança.

Natividade com São Francisco e São Lourenço, Caravaggio, Oratório de São Lourenço, Palermo, Itália, 1969

Caravaggio, Natividade com São Francisco e São Lourenço, óleo sobre tela, c. 1600-1609. Desaparecida. Fonte: Wikipedia.

Na madrugada de 17 para 18 de Outubro de 1969, o Oratório de São Lourenço, em Palermo, foi assaltado. Desapareceu apenas uma obra: Natividade com São Francisco e São Lourenço, do pintor italiano Caravaggio, avaliada, nos dias de hoje, em cerca de 20 milhões de dólares. Este caso integra a lista Top 10 de crimes de arte internacionais por resolver do FBI.
Foi de imediato criada uma brigada de polícia especializada na procura de Arte roubada para tentar recuperar o quadro. No início da década de 1980, deixaram de ter pistas para seguir.

Os assaltantes entraram por uma janela. Dias antes do roubo, uma das funcionárias suspeitou de algumas pessoas que rondavam essa mesma janela e que pediram para ver a obra. Temendo que algo pudesse acontecer, pediu para que fossem tomadas medidas de segurança, mas nada foi feito.
A tentativa de segurança veio apenas após o roubo, quando decidiram retirar as restantes obras do Oratório.

Ao longo do tempo, são e foram várias as teorias a circular sobre o que terá acontecido: alguns crêem que a Máfia Siciliana está envolvida; outros apontam que terá sido destruída; e há ainda quem pense que a obra foi abandonada numa quinta e comida por porcos e ratos. Mas, sem dúvida, que a suspeita recai sobretudo na Máfia, havendo alguns indícios que apontam para tenham sido, efectivamente, os responsáveis.

Em 1989, um informador da Máfia revelou ter roubado o quadro, o qual enrolou num tapete que encontrou no local para proteger a tela da chuva. Este é um de muitos indícios que levam alguns peritos a acreditar que a obra se encontra em mau estado, pois ao ser enrolada é muito provável que a tinta tenha craquelado, desintegrando-se da tela.

Benedetto Rocco, o padre que na altura estava responsável pelo espaço, alega ter sido contactado duas vezes por carta proveniente de um mafioso que admitiu ter roubado a tela de modo a convencer a Igreja Católica a negociar a sua devolução. Enviou, na segunda carta, um pedaço da tela.
Esta informação foi apenas revelada ao público em 2001.

O caso foi reaberto em 2017, quando uma comissão Anti-Máfia italiana seguiu uma pista nova relacionada com um vendedor de arte suíço que terá dado a dica de destruir a tela, pois ninguém iria comprar uma obra tão conhecida. O trabalho de investigação continua ainda nos dias de hoje dividido entre Itália e Suíça.
Crê-se que a obra está na posse dos Badalamentis, uma família mafiosa, e que é usada para mostrar poder nas reuniões da Máfia.

Stephen Hahn Gallery, Nova Iorque, Estados Unidos da América, 1969

Camille Pissarro, A Hermitage de Pontoise, óleo sobre tela, c. 1867. Guggenheim. Fonte: Guggenheim.

Desde comprar quadros roubados a vender obras saqueadas pelos Nazi, a Stephen Hahn Gallery já deu muito que falar. Mas não estamos aqui para mencionar as suas compras e vendas, mas sim de quando foi vítima de um assalto.

No total foram sete as obras roubadas desta impressionante colecção: Cristo e Dois Discípulos, de Georges Rouault (1871-1958); A Hermitage de Pontoise, de Camille Pissarro (1830-1903); Nenúfares, de Claude Monet (1840-1926); Mãe e Criança, de Mary Cassatt (1844-1926); Interior em Nice, de Henri Matisse (1869-1954); Retrato de uma Mulher, de Berthe Morisot (1841-1895); Carroça na Floresta, de Marc Chagall (1887-1985). Num valor total, à época, de 500 mil dólares.

Stephen Hahn (1921-2011) vangloriava-se de que a galeria tinha uma fechadura impossível de arrombar, no entanto, a 17 de Novembro de 1969, houve quem conseguisse.
Na altura do roubo, Hahn estava a dar uma palestra na Art Dealers Association of America. O tema? O roubo de Arte e os seus esforços para proteger a sua galeria, não esquecendo de mencionar a tal fechadura inquebrável.
Levou a situação com algum humor, dizendo mais tarde que os assaltantes deixaram para trás obras mais valiosas de Picasso e que, por isso, deviam ser um tanto conservadores por optarem pelas sete acima mencionadas.

As quatro primeiras obras da lista foram recuperadas em 1975, juntamente com um Renoir não pertencente à galeria a partir de uma investigação que nada tinha a ver com o roubo nem com o mundo da Arte. George Daniel Annunziata, um nova-iorquino, foi detido por extorsão.
As restantes três obras continuam por encontrar.

Montreal Museum of Fine Arts, Canadá, 1972

Rembrandt, Paisagem com Cabanas, óleos sobre papel, 1654. Desaparecido. Imagem retirada de um catálogo de 1968. Fonte: Wikipedia.

Um dos museus mais importantes do Canadá, o Montreal Museum of Fine Arts, foi roubado pelas duas da manhã do dia 4 de Setembro de 1972; um roubo digno de filme: os três assaltantes armados entraram pela clarabóia, que na altura estava a ser reparada e por isso metade do alarme a ela destinado estava desactivado; amarraram e amordaçaram os guardas de serviço. O resultado? Desapareceram um total de 39 peças de joalharia e 18 pinturas, algumas pertencentes a nomes como Rembrandt, Eugène Delacroix (1798-1863), Thomas Gainsborough (1727-1788), Jean-Baptiste Camille Corot (1796-1875), Honré Daumier (1808-1879), Jean-François Millet (1814-1875), Gustave Courbet (1819-1877), Jan Davidszoon de Heem (1606-1684) e Peter Paul Rubens, perfazendo um total de 2 milhões de dólares roubados, sendo que o Rembrandt, Paisagem com Cabanas, valia por si só metade desse valor.
Acredita-se que os assaltantes teriam a intenção de levar mais 20 pinturas, as quais foram deixadas para trás após dispararem o alarme de uma porta, quando saíam do museu.

Pouco depois do assalto, o director do Museu recebeu um envelope com fotografias dos bens roubados e a exigir um resgate de 250 mil dólares. Uma chamada encaminhou-o para uma cabine telefónica onde se escondia uma peça de joalharia e, após pedir provas de que as pinturas ainda existiam, foi dar a um cacifo na Estação Central de Montreal no qual estava uma das obras roubadas da autoria de Jan Brueghel, o Velho. Foi ainda combinada uma troca dos bens por dinheiro, mas os ladrões fugiram ao ver um carro da polícia a passar (que em nada estava relacionado com caso). As comunicações cessaram por aí, não tendo sido recuperada mais nenhuma peça e sem conseguir deter os assaltantes. Há a ideia de que a Máfia de Montreal possa ser responsável e os peritos acreditam que as peças terão sido destruídas, pois são demasiado reconhecíveis para serem vendidas.

Este continua, até aos dias de hoje, o maior roubo na história do Canadá e um dos maiores roubos de Arte por resolver.

Segador, David Teniers, o Jovem, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal, 1974

David Teniers, o Jovem, Verão (da série das Quatro Estações), óleo sobre cobre, c. 1644. The National Gallery, Londres. Fonte: NationalGallery.
Esta é uma versão semelhante à obra roubada do Museu Nacional de Arte Antiga.

A 5 de 1974, Segador, de David Teniers, o Jovem, uma das obras fundadoras da colecção do Museu Nacional de Arte Antiga, adquirida em 1866 pela Academia Real de Belas-Artes com os fundos doados pelo Rei D. Fernando para esse efeito, é dada como desaparecida. No seu lugar foi deixado o recorte de uma ilustração sem valor com uma mancha cromática semelhante.

Foi Armando Coelho Baptista, sobrinho do pintor Abel Manta, quem deu conta do desaparecimento da obra, numa das suas inúmeras visitas ao Museu. Eram 11h30, passavam quase duas horas da abertura do Museu. Não se sabe até hoje exactamente em que dia a obra terá sido roubada. Sendo que a mesma se encontrava numa zona escura da sala, passava despercebida muito facilmente, não sendo que admirar que possa ter levado alguns dias até o roubo ter sido notado.
Tendo pequenas dimensões pensou-se que Coelho Baptista pudesse ser o ladrão, tendo sido revistado. Uma obra tão pequena podia facilmente passar por um livro.
Antes de lançarem o alerta, verificaram se estaria na sala de restauro.

Passavam dez dias da Revolução dos Cravos e quatro dias do primeiro feriado de Dia do Trabalhador a ser celebrado de forma livre. O país estava em festa e haviam outras prioridades com as quais ocupar os governantes e as autoridades.

Não era o primeiro roubo a um Museu português, embora assim tenha sido referido. Foi, no entanto, um roubo bastante falado, tornando-se rapidamente do conhecimento público. Mas com a mesma rapidez com que foi conhecido (apenas a 9 de Maio, no Jornal da República), também foi esquecido.

Desapareceu sem deixar rasto como um prenúncio para os bens culturais que sairiam do país durante o PREC, a Reforma Agrária e toda a instabilidade económica, política e social que chegaria nos anos seguintes. Antecipava uma altura em que muitas obras foram enviadas para outros países, pois, para as famílias que outrora detinham o poder, elas deixavam de ser itens de colecção para ser mais valias – não podiam dar-se ao luxo de as ver confiscadas.

A cronologia relativa à investigação deste roubo desta obra é mínima, pelo que vos deixo uma lista:
*O roubo é notado a 5 de Maio de 1974;
*A queixa é feita apenas no dia 9 de Maio;
*A Polícia Judiciária visita o Museu no dia 30 de Maio, deixando o espaço sem apurar nada de novo;
*Os funcionários do museu e os intervenientes mais directos prestam declarações a 2, 10 e 16 de julho;
* O caso é dado como encerrado, sem mais diligências a realizar, a 17 de Julho;
*Dado como arquivado a 23 de Agosto.

O MNAA tentou prosseguir diligências próprias, mas também sem conseguir resultados. E por aqui a história ficou.

Este roubo com quase 50 anos denota um problema ainda visível em muitos Museus portugueses: não há pessoal suficiente para garantir a segurança de todos os espaços e de todas as peças em exposição.

Palazzo Ducale/Galleria Nazionale delle Marche, Urbino, Itália, 1975

Esquerda: Rafael, A Muda, óleo sobre madeira, não datado. Galleria Nazionale delle Marche, Urbino. Fonte: GalleriaNazionaleMarche.
Direita: Piero della Francesca, Madonna de Senigallia, óleo e têmpera sobre madeira, c. 1480. Galleria Nazionale delle Marche, Urbino. Fonte: GalleriaNazionaleMarche.

Piero della Francesca, A Flagelação de Cristo, têmpera sobre madeira, 1459-1460. Galleria Nazionale delle Marche, Urbino. Fonte: GalleriaNazionaleMarche.

Era considerado um dos espaços de Arte mais seguros do país…até ser assaltado na madrugada de 5 para 6 de Fevereiro de 1975. O Palazzo Ducale de Urbino vê serem roubadas da sua colecção três obras: A Muda, de Rafael (1483-1520); A Flagelação de Cristo e Madonna, de Piero della Francesca (?-1492), consideradas dos melhores exemplos ainda existentes do pintor.

Acredita-se que os assaltantes as roubaram com o intuito de as vender no mercado internacional. Mas, mais uma vez, a importância destas obras e o facto de serem tão conhecidas levou as autoridades a presumir que isso não aconteceria facilmente, pois iriam ser rapidamente reconhecidas como as obras roubadas. E assim aconteceu, pois no ano seguinte, em Março de 1976 as obras foram encontradas em Locarno, na Suíça. Todas recuperadas sem qualquer dano, apesar de terem sido cortadas das molduras aquando o roubo.

Este foi um caso muito mediático, especialmente porque se descobriu que o Palazzo Ducale, que, como referido, era visto como um dos sítios mais seguros, não tinha sequer um sistema de alarme. Os assaltantes aproveitaram uma zona em obras no Museu, subiram por escadote e partiram uma janela.

Por entre tentativas de vender as obras, chamar a atenção para movimentos activistas e até roubar com a ideia de restabelecer uma pintura ou seu suposto país de origem, são vários os motivos que encontrámos ao longo dos anos para justificar que os Museus, Galerias, casas e até barcos sejam assaltados. Os casos dividem-se entre aqueles cujas peças foram encontradas e outros em que, infelizmente, isso não aconteceu – mas há sempre esperança.
Deixei-vos com apenas oito casos com ideia de os dividir por décadas, sendo que deixámos já para trás os primeiros roubos conhecidos e mais badalados. Ficaram alguns de fora, mas isso porque merecem um artigo só seu de tão interessantes que estas histórias conseguem ser.

_________

Referências:
History Collection – Ten Daring Art Thefts of the 20th Century;
ARTnews – The 25 Greatest Art Heists of All Time;
IMAGO – Art Robbery on Dulwich Gallery The world s biggest ever picture Haul;
History Hit – 7 of the Most Notorious Art Heists in History;
Far Out – The 10 most infamous art thefts and heists of all time;
Casa Vogue – 13 obras de arte roubadas e jamais encontradas;
Britannica – Stealing Beauty: 11 Notable Art Thefts;
Forbes USA – Great Art Thefts Of The 20th Century;
Art Rights – The 5 most incredible art thefts in history;
Art Crime – Anniversary of the Ducal Palazzo Theft 1975: “Paintings stolen from palace” (Associated Press, 1975);
ScoopWhoop – 15 Cases Of Real Life Art Theft That Sound Just Like Hollywood Movies;
Forbes Brasil – 15 maiores roubos de arte de todos os tempos;
The Guardian – Theft of Caravaggio in Sicily still shrouded in mystery 50 years on;
The Guardian – The ‘kidnapped’ Caravaggio: how the mafia took a razor blade to a masterpiece;
ArtHive – The world’s “most wanted” stolen Caravaggio painting can be found by police;
The New York Times – STOLEN PAINTINGS PICKED UP BY F.B.I.;
Gulbenkian/Público – Assalto ao Museu Nacional de Arte Antiga;
AnArt4Life – The first known art heist;
History – 10 Famous Art Heists;
Canvas – The Top 6 Biggest Art Thefts in History;
Artland Magazine – Art Theft: The Most Legendary Heists;
Expresso – A Arte Roubada ao Mundo;
ArtPistol – Top Ten Art Robberies;
CNN USA – Mona Lisa: The theft that created a legend

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s